sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SAMBA E AMOR

Samba e Amor

Chico Buarque

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PRESENTE... AUSENTE...

Pousada serena sobre a cadeira...
Cotovelos na mesa... pensante... concentrada...
Dispersa, diriam os outros.
Concentrada, diz a si mesma...
Concentrada, repete a si mesma...
Concentrada, engana a si mesma...

Vagam os pensamentos, sim, é verdade
Que importa? São seus!
Por minutos apenas, que vaguem!
O corpo presente às vezes requer alma ausente
A alma ausente por vezes salva o corpo presente.
De corpo presente... Com rugas na testa
A mente plainando sem rumo... ausente.
Semáforos piscando em verde, suaves.

E seus pensamentos??
Pois então... São livres!
Em essência ou não, que vaguem!
E o resto, ora pois...
O triste resto...
O chato resto...
O entediante resto...
Que fique para depois.
Os pensamentos são seus.
São meus.
Então que vaguem...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ANGUSTIANTE RECOMEÇO SEMANAL

Segunda-feira... merecia esse texto novamente, não??


      Das espectativas para uma segunda-feira pode-se dizer categoricamente que o que se tira em geral é uma espécie de  inquietude que rasga por dentro. A sensação da volta a rotina que te faz ser cuspido da cama num horário que não lhe é o natural, para efetuar tarefas que muitas vezes não lhe são agradáveis, conviver com pessoas que ocasionalmente não lhe são simpáticas... A violência diária a qual somos sujeitados já no despertar matinal.  A tortura cotidiana que te massacra aos poucos, te tira a leveza e te faz questionar-se exaustivamente. A necessidade de adaptar-se, adequar-se ao meio, podar-se em função de um coletivo ao qual internamente nem sempre nos consideramos sequer parte complementar. Mas que ainda assim, na busca pela constante adaptação, nos forçamos a nos regrar. Nós próprios, carrascos de nós mesmos. Nos violentando em prol do "todo", quase que consenso universal. Sendo eventualmente ou geralmente regra geral. Nos mutilando mentalmente... mesmo que em alma jamais nos dobremos.
Afinal, há que se ter ao menos um plano onde possamos nos considerar intactos.

Texto postado anteriormente por mim em Coma Anárquico e "importado" para cá porque o dia estava propicio... rs

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

RECICLANDO ROUPA VELHA PARA FALAR DE AMOR...

Estava a pensar pela manhã sobre o amor e suas fragmentações e escudos... na verdade, o pensamento me veio a mente após a leitura de um texto de Fernando Pessoa que me fora carinhosamente enviado... o amor e suas mil faces... seu romantismo místico, sua configuração simples... suas enganações idealizadoras e/ou seu aspecto real e objetivo. Pólos opostos, conflitantes e conceitos válidos, que mostram ser possível a existência de explicação mental para o que cobre e envolve o sentimental... o uso da razão para explicar emoções sempre me atraiu muito. Acho extremamente intrigante...

“… a principal condição para realização do amor é a superação do narcisismo. A orientação narcisista é aquela em que só se experimenta como real o que existe dentro da pessoa, ao passo que os fenômenos do mundo exterior não têm realidade em si mesmos, mas são experimentados somente do ponto de vista de serem úteis ou perigosos. O pólo oposto ao narcisismo é a objetividade; é a faculdade de ver pessoas e coisas tais como são, objetivamente, e a capacidade de separar esta imagem objetiva de uma imagem formada pelos desejos e temores que se tenham. Todas as formas de psicose mostram a incapacidade de ser objetivo, em extremo grau. Para a pessoa insana, a única realidade que existe está dentro dela, é a de seus temores e desejos”.( Erich Fromm e o livro "A Arte de Amar")

Aos que julgam frios os que apenas se intitulam objetivos, um interessante conceito... o julgamento de frieza viria então do medo? Na certa, da falta de objetividade ao encarar o outro não como o que realmente é, mas como se desejaria que ele fosse. Me pergunto por que tanto medo de defeitos alheios, se somos pois todos bem e mal, bonito e feio, qualidades e defeitos, yin e yang?? O medo de encarar o outro viria então do medo de encararmos a nós próprios?
E dando sequência:

"...O amor só é possível se duas pessoas se comunicam mutuamente a partir do centro de suas existências e, portanto, se cada uma se experimenta a partir do centro de sua própria existência. Só nesta "experiência central" existe realidade humana, só aí há vivacidade, só ai está a base do amor. Assim experimentado, o amor é um desafio constante; não é um lugar de repouso, mas é mover-se, crescer, trabalhar juntamente; haja harmonia ou conflito, alegria ou tristeza, isso é secundário em relação ao fato fundamental de que duas pessoas se experimentam mutuamente a partir da essência de sua existência, que são uma com a outra por serem uma consigo mesmas, em vez de fugir de si mesmas. Só há uma prova da presença do amor: a profundidade da relação e a vivacidade e o vigor em cada pessoa envolvida; este é o fruto pelo qual o amor é reconhecido..." (Erich Fromm e o livro "A Arte de Amar")

Portanto, antes de se "querer" amar há  primeiro que se conhecer a si mesmo em essência. O que é o maior complicador partindo-se do princípio de que o que ocorre na maioria das vezes é que as pessoas de fato não se conhecem... Penso então que seguindo a lógica de Erich Fromm, desprender-se e perder o medo de si próprio seriam então a forma mais ampla de se conseguir amar de dentro para fora, sem narcisismos, quebra e mudança de realidades, e endeusamento da pessoa amada  no intuito de não cair na armadilha de fundar-se não no que a pessoa é de fato, mas no que se desejaria que ela fosse.


Texto postado por mim anteriormente em Coma Anárquico, e reciclado para o Imersão Voluntária. Quem já comentou, comente de novo... rs

segunda-feira, 25 de julho de 2011

RASGANDO INGRESSOS PARA O SANATÓRIO GERAL

Mal estar,
Calafrios,
Enjoo continuo, tremedeiras, tensão muscular
Enxaqueca, bruxismo...
De
   ses
      pe
         ro
_ Tudo indica que é decorrente de estresse - escuta com atenção e expressiva ruga na testa.
Usam jalecos e possuem pranchetas,
Devem saber o que dizem.
_ Aconselho que procure um psiquiatra...
O encaminhamento é feito, de forma simples.
Papel, caneta, carimbo
Dizeres que podem mudar uma vida.
Remédios?
Não sei... talvez não hoje...
Olha o papel,
Re-lê os dizeres...
Mas se sente-se novamente tão bem! Não entende o porquê...
Dobra o papel.
Guarda o papel.
Na verdade, ignora o papel...
Homeopatia, florais, chás, desenhos, mandalas
Volta ao que pensa ser melhor opção.
Imagina que podem ajudá-la a manter-se sadia e sã.
O problema, é que não sabe de fato até quando...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Drops...

     Reparei que ando mais feminina... a sensibilidade tem me feito bem. Sensibilidade mesmo que na força... suavidade ainda que com garra... Serenidade em tons de azul... Derramando sobre meus olhos suaves cores em dégradé... Ser mulher é ter a alma colorida... e colorida olho-me para dentro, e me sinto feliz...

"O Amor...
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

Cecília Meireles

Bom dia Cecília... fazia tempo que não nos víamos... você também já acordou um dia se sentindo levemente... mais mulher?

terça-feira, 14 de junho de 2011

A ALVORADA DO AMOR

- Li um poema do livro que você me deu, que me lembrou você...
- É mesmo? Qual o nome?
- A Alvorada do Amor, de Olavo Bilac...
- Vou procurar para ler. Fiquei curiosa...

...  ela lê o poema, se arrepia e fica totalmente sem palavras ...

A ALVORADA DO AMOR
Olavo Bilac

Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

Chega-te a mim! entra no meu amor,
E e à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgôsto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê tudo nos repele! a tôda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrêlas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sôbre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se amaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degrêdo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da bôca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em tôrno ao teu corpo encantador e nú,
Tudo morrer, que importa? A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico na terra, luz dos olhos teus,
Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!